quinta-feira, 2 de junho de 2011

As Tendências Pedagógicas Liberais

Tendências pedagógicas liberais

Segundo Luckesi (2005), a educação brasileira, pelo menos nos últimos 50 anos, tem se identificado fortemente com as tendências liberais. Esta influência não necessariamente é percebida por muitos professores. A pedagogia liberal tem como fundamento a preparação do indivíduo para a sociedade, porém, como uma visão restrita sobre as diferenças de classe.

1. TENDÊNCIA LIBERAL TRADICIONAL
A tendência liberal tradicional parte do pressuposto de que o aluno deve ser preparado intelectual e moralmente para assumir seu papel na sociedade. Caracteriza-se por um ensino humanístico e cultural (LUCKESI, 2005; LIBÂNEO, 2006). Fundamenta-se em conhecimentos e valores acumulados ao longo do tempo, tratando-os como dogmas, utiliza-se de métodos universais onde o professor é o centro do processo de ensino-aprendizagem (VEIGA, 2008).
Existe um domínio de aulas expositivas, onde o professor exerce autoridade na relação com o aluno. Como conseqüência, a aprendizagem é receptiva e mecânica. O aluno é considerado um ser passivo. Há ênfase na aplicação de exercícios ou na repetição de conceitos para memorização, isso com o objetivo de disciplinar a mente e formar hábitos. Na avaliação do discente as provas, exercícios e trabalhos são vistos como elemento central (LUCKESI, 2005; LIBÂNEO, 2006).


2. TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSIVISTA
Diferentemente da tendência liberal tradicional, aqui, procura-se valorizar as necessidades individuais dos alunos. A partir do reconhecimento dos interesses e experiências vivenciadas pelos alunos, os conteúdos em sala de aula são estabelecidos. São valorizados os processos mentais e habilidades cognitivas, busca-se “aprender a aprender” (LUCKESI, 2005).
Métodos de solução de problemas, pesquisas ou experiências são práticas manifestadas nesta tendência. O docente atua como auxiliar no desenvolvimento livre e espontâneo do aluno, motivando e estimulando a aprendizagem. A escola renovada progressivista propõe a auto-aprendizagem. Trabalhos em grupo são considerados importantes e condição básica para o desenvolvimento mental. Entende-se o processo de avaliação como qualitativo (LIBÂNEO, 2006).

3. TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA
Esta vertente busca a formação de atitudes por parte dos alunos. Predomina aspectos psicológicos sobre os lógicos neste contexto. Assim, os conteúdos estão baseados na procura por conhecimento pelos próprios alunos.
A educação está centralizada no aluno, sustentada por um relacionamento de respeito garantido pelo professor em seu papel de facilitador. O discente é considerado um ser ativo, com liberdade e autonomia no processo de ensino. A escola renovada não-diretiva propõe a valorização da auto-educação, onde o aluno é o sujeito do conhecimento. A aprendizagem é vista como a modificação das percepções do aluno sobre a realidade. Perde o sentido o processo de avaliação, privilegiando-se a auto-avaliação (BARADEL, 2007; LUCKESI, 2005; LIBÂNEO, 2006).

4. TENDÊNCIA LIBERAL TECNICISTA
É uma corrente pedagógica modeladora do comportamento humano, subsidiada por métodos e técnicas específicas em sala de aula. Os conteúdos são formatados numa seqüência lógica de ensinamento. O aluno é considerado responsivo perante a formação do programa educacional. O movimento tecnicista está diretamente articulado com o sistema produtivo local, interessado na formação de indivíduos competentes para o mercado de trabalho. Parte do pressuposto de que aprender é modificar o desempenho (LIBÂNEO, 2006).
Entende-se aqui, que os métodos em sala de aula são vistos como procedimentos e técnicas voltadas para a transmissão e recepção de informações. O professor, em uma relação estruturada, objetiva e eficiente, transmite informações para o aluno fixá-las. Emprega-se a tecnologia educacional, onde o docente busca atingir um comportamento adequado pelo controle do ensino. Atua como elo de ligação entre a ciência e o aluno. Pode-se dizer que é uma aprendizagem baseada na mudança de nível de desempenho dos discentes (LUCKESI, 2005).

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